quarta-feira, 4 de maio de 2011

ANGRA A PORTO ALEGRE

Voltamos ao Bracuy eu a Cleuza e nossa filha Tayná com nossas duas cachorras Mel e Mole, a idéia era passar um mês e depois retornar a Porto Alegre, e em seguida eu voltaria para buscar o barco. Fomos ao Rio de carro. 10/01/2011 segunda feira chegamos a Angra. Terça feira depois de organizar o Barco, rumamos para a Ilha Grande Sitio Forte. Nossos amigos do Barco Passatempo, Adriano Vera e a filha Mariana, o Carlinhos e Nilse do Barco Miragem, estavam passando uns dias a bordo do Veleiro Aventura do amigo Chicão, nosso encontro seria no Sitio Forte. Quarta feira fomos a Vila do Abraão para encontrar o veleiro Planeta Água com Fernando Marta e a filha Vitoria. Mais tarde chegou o Paulo do veleiro Riacho Doce que veio se despedir, pois começava o retorno lentamente passando por Paraty e outros lugares maravilhosos que temos na costa até chegar a Porto Alegre. Nossa estadia com os amigos foi muito boa com direito a trilha a Lopes Mendes e confraternizações a base de caipira cerveja churrasco e muitas piadas. Na quinta feira fomos ao saco do céu, na sexta feira o Adriano e tripulação voltaram ao Bracuy, para deixar o Aventura e retornar a Porto Alegre. A Tarde saímos em parceria com o Planeta Água rumo ao sitio Forte. A noite uma confraternização no Bar do Lelé, pois no dia seguinte sábado eles também iriam embora. Ficamos com o Entre Pólos perambulando pela Ilha grande e Angra. Encontrei o amigo Ernesto, Argentino do veleiro New Life que não o via desde 2006. Fomos a Ilha do Cedro passamos o dia dormimos lá e no outro dia antes de partir fomos ao bar da dita almoçar. Após o almoço seguimos para Paraty a nove milhas, ficamos fundeados na frente da prainha ao lado da marina do Engenho, lá também encontramos o Roberto com o veleiro Charrua, agora com nova pintura de casco na cor vermelha. Dia seguinte fomos ao centro de Paraty fazer umas compras e depois seguimos para a Ilha da Cotia só para dar uma volta. Encontrei o Paulo do veleiro Riacho Doce, e o Santini do veleiro Bolero. Fui ao barco bater um breve papo, pois logo seguiríamos para Ilha Grande. Motivo da breve passagem pela Ilha da Cotia, sem sinal de Internet, adolescentes não vivem sem elas, e para manter todos satisfeitos a bordo temos que agradar a toda a tripulação. Chegando à Ilha Grande paramos no saco do Longa para comprar camarão, gostei muito do lugar ainda não havia estado lá, e o camarão também não. Seguimos para nossa base, praia de Ubatubinha (Sitio Forte) mais uma noite com calor infernal como todas os dias. Ao escurecer a Cleuza pegou um colchonete e foi para a proa, a Tayná também, pois era o melhor lugar para ficar, menos quente, eu segui ela mas sem colchonete, deitei direto no convés do barco que é de ferro, tanto esquenta rápido como gela com qualquer sereno. Ficamos alí por varias horas conversando, olhando o céu estrelado com um gostoso sereno aliviando o forte calor. No outro dia não estava muito bem, começava uma infecção urinaria. Liguei para meu medico em Porto Alegre que me deu o nome do remédio que eu deveria tomar. Fomos ao Piratas Mall, mas a farmácia com a nova lei não me vendeu o remédio, mas me deram um comprimido que não adiantou nada. Voltamos ao Sitio Forte, fui dormir acreditando que no próximo dia iria melhorar, a dor continuava, resolvemos ir à lagoa Azul, Fundeamos e entramos na água, e eu cada vez pior. A decisão era tentar comprar o remédio na Vila do Abraão, novamente só com receita medica. A única solução era o posto de Saúde, onde fui muito bem atendido e com o pouco movimento, foi rápido. Sai com a receita na mão em um forte calor, a farmácia parecia estar mais longe, comprei o remédio e tomei o primeiro comprimido na farmácia. Entrei no bote me deitei e as gurias me levaram até o barco. Deitei no paineiro com o ventilador ligado, só saindo para o cokpit a noite, fiquei quase dois dias sem me alimentar direito. No sábado fomos ao Saco do Céu, pegamos uma poita em frente ao restaurante Coqueiro Verde, movimento intenso de barcos, logo todas poitas foram ocupadas. Estávamos esperando a chegada na próxima semana da Irmã da Cleuza, Nice e Paulo. Resolvemos ligar para eles e informar o ocorrido deixando assim para outra oportunidade a visita deles, pois eu não me sentia bem e o calor era insuportável. Assim resolvemos voltar para casa dez dias antes do planejado. Na segunda feira fomos ao Bracuy, e na terça feira dia 25/01 retornamos de carro rumo a Porto Belo. Ficamos na praia até dia 5/02 e retornamos para Porto Alegre, mas antes fizemos uma parada em Garopaba, na casa do Fernando, (Planeta Água) um churrasco e tanto, na companhia da família Maciel e do amigo Ladislau e Magda. 12/ 02, retornei na companhia do casal de amigos Maxi e Dieter para trazer o Entre Pólos a Porto Belo. Chegamos ao Bracuy as 16horas, no trajeto paramos no Piratas Mall e fizemos as compras para nossa viagem, assim deixando abastecido o Entre Pólos. Seguimos para o Sitio Forte chegando ao escurecer. 13/02 preparamos o bote, e fomos ao Veleiro Alma de Mestre rever os amigos Jordan, Cris, e o filho, que estão morando a bordo. Fomos todos a praia botar os assuntos em dia. Mais tarde rumamos para Lagoa azul, e a noite retornamos ao Sitio Forte. Tivemos a visita a bordo da tripulação do Alma de Mestre, ficamos de papo até tarde da noite. Segunda feira fomos ao piratas, pois resolvi trocar a bateria do motor do Entre Pólos, depois de sete anos não estava mais segurando carga. Saímos ao meio dia rumo a Ilha do Cedro, às 15 horas chegamos, fundeamos em frente ao bar da Dita, enquanto esperava veio um temporal que me fez ir ao barco, para fechar as vigias e gaiutas e conferir a ancora. Almoçamos peixe camarão macaxeira frita, e muitas caipiras. É imperdível a Ilha do Cedro e o bar da Dita, sempre que vou a Angra na ida a Parati passo por lá, nesta viagem foram duas vezes. Mudamos o fundeio para o outro lado da ilha onde é melhor para ficar e pernoitar. Ainda claro caímos na água que estava especial muito quente parecendo uma piscina de águas termais, só saímos às nove da noite. Fizemos um lanche e fomos dormir, pois sairíamos de madrugada para Ilha Bela. Saímos às seis da manhã muito devagar, pois ainda estava escuro, nossa proa, Ponta da Joatinga. Ao meio dia depois de uma pizza o vento nos deu o prazer de velejar, orça folgada às vezes través mar muito mexido às vezes chuva. O Toni Tornado (piloto automático) acho que bebeu um pouco, pois está saindo muito do rumo, acho que é pela instalação de outro equipamento, deve haver algum conflito de informações. Neste trecho tivemos a visita de muitos golfinhos, me chamou a atenção pela quantidade e tamanho, e vários com os filhotes ao lado. Sempre é bom ter a visita destes simpáticos amiguinhos, me faz sentir bem, e recordo os maravilhosos dias que fiz a travessia do Atlântico em solitário. Na entrada do canal na chegada a Ilha bela escureceu, enrolei a genoa esperei um pouco e decidi baixar à grande, na hora, pois a vela desceu e entrou um temporal muito forte, ficamos sem visibilidade, o Dieter dava sinal com o refletor a cada minuto, a Maxi no outro bordo as vezes botava a cara na chuva para tentar enxergar algum movimento, e cuidava o radar, pois estávamos no canal de navegação. O vento com chuva passou dos quarenta nos nas rajadas, do nosso lado levantou um redemoinho de água estávamos com vento na cara segurando no motor, andando bem devagar três nós as vezes menos, esperando melhorar a visibilidade para seguir, esta situação durou menos de meia hora, logo seguimos normal até o Iate Clube de Ilha bela, chegando ainda com a luz do dia, nos cederam uma poita para passarmos a noite. Vieram me buscar de bote para fazer a ficha de entrada no Clube, na volta o barco já estava organizado pela Maxi e Dieter. Nosso plano seria de sair à noite para jantar e caminhar pela cidade, mas não parava de chover. A Maxi fez uma Macarronada, deliciosa, até passei da conta. Depois de uns papos fomos dormir, pois no outro dia nosso rumo seria Porto Belo. Quarta feira acordamos cedo tomamos café, resolvi buscar óleo para o motor no posto flutuante, gosto sempre de ter a bordo, pois se der algum imprevisto estou safo. 16/02, quarta feira as 7.30 saímos da poita do clube em Ilha Bela rumo a Porto Belo. Deixamos o Arquipélago de Alcatrazes por BE, e dei um ponto direto na ponta de Porto Belo, fazendo uma navegada em linha reta e se afastando da costa. A navegada a Porto Belo teve de tudo desde calmaria a chuva com vento forte, o mar sempre com ondas grande e descompassada. Conseguimos velejar bastante, mas também tivemos que motorar. Primeiro dia Almoço pizza, quinta feira ultimo dia carne no forno. À noite tivemos que ficar sempre atentos, pois estávamos nos aproximando de terra e do destino. Nesta navegação, de Alcatrazes com um ponto em Porto Belo, a aproximação da costa começa no través de Paranaguá, quando estamos a trinta milhas do través de São Francisco, também estamos com a proa a Trinta milhas de nosso destino Porto Belo. Às 23 Horas ouvíamos a todo instante Itajaí radio, dando aviso de Homem desaparecido no mar, o ponto era a cinco milhas mar a dentro de nossa localização, víamos muitas luzes de embarcações tentando localizar o naufrago, pelas informações, alguém caiu na água. Às quatro Horas da madrugada de sexta feira, fundeamos em frente ao Centro Náutico de Porto Belo. Fomos dormir e às nove horas desembarcamos, fomos para minha casa, descansamos um pouco batemos papo e decidimos deixar o barco nas poitas do João, na enseada Encantada que fica na frente da fábrica de pescados Pioneira. Um lugar muito bonito e seguro, La estavam o veleiro Riacho doce e o veleiro Zuretta com o comandante Fininho a bordo. O João e sua equipe, 47- 99787133 tem uma base flutuante, (PETROBASE) da para abastecer o barco de água, uma boa opção de fundeio, e se quiser deixar o barco fica seguro. O João, uma pessoa muito falante e simpático nos atende muito bem, no meu caso não Havia mais poitas, mas deixei o Entre Pólos no ferro a seus cuidados. À tarde fomos com toda a família que estava em casa navegar, fomos ao Caixadaço Estaleirinho, depois voltamos para a Enseada encantada para deixar o Barco. Sábado saí de Bote eu a Cleuza a Tayná com o Dieter e a Maxi pela Ilha e outros lugares típicos da nossa Praia. A noite fizemos um churrasco em casa e convidamos o Fininho, noite regada de cerveja, caipirinha e muito papo até a madrugada. Domingo Aproveitei o ultimo dia do Dieter e fomos abastecer de diesel no Iate clube de Porto Belo. No fundeio tive a visita do amigo Careca de São Leopoldo, amigo de grandes papos e uma pessoa muito divertida, pois quando estamos em SC, nos encontramos no Centro Náutico de Porto Belo quase todos os dias, onde deixamos nossos botes. Também veio do veleiro Obelix II, o Amigo Aureo e sua amiga Ariane nos fazer uma visita e conhecer o barco. O Aureo tem um TORR 42 ele está com grandes planos de navegação para o futuro, no momento mora em Blumenau, e o barco fica aos cuidados do João nas poitas. A noite chega e chega à hora de levar os amigos tripulantes para a rodoviária. Agradeço a companhia dos amigos Dieter e Maxi pela parceria na navegada de Angra a Porto Belo, deixando convite para uma próxima oportunidade subir a Bordo do Entre Pólos, para futuras navegadas. Na terça feira saímos para um passeio de Bote, e depois ir a bordo do Entre Pólos. Resolvemos passar na escola de Wind Surf da Lú. Encontramos lá o amigo de muitos anos também navegador, Zarí de Caxias do sul, o levamos a bordo para conhecer o barco, foi um prazer ter nosso amigo a bordo. A saída para Rio Grande conforme previsão estava programada para quarta feira dia 23/02, nossa janela de tempo seria curta, o nordeste estava previsto para entrar na quarta depois do meio dia, e as previsões de frente frias era para sábado também próximo ao meio dia. Não poderia perder tempo, nossa chegada em Rio Grande seria para sexta a partir do fim da tarde, pois também correríamos o risco da frente se antecipar. A tripulação até Porto Alegre seria os amigos, Flavio Fiala e Eurico (veleiro Catavento). A Cleuza e a Tayná saíram às 6 horas de carro para Porto Alegre, pois no dia seguinte começaria as aulas. O Flavio e o Eurico chegaram as 6.30, embarcamos subimos o bote, e às sete horas saímos motorando seguindo nosso destino, Rio Grande. Conforme a previsão no fim da tarde entrou o esperado vento Nordeste, a noite uma navegada meio desconfortável com ondas grandes. No dia seguinte o vento diminuiu, as ondas continuavam grandes e descompassadas, seguimos com vela e motor. Teríamos que manter uma velocidade media para chegar a Rio Grande, antes da frente fria que estava para entrar. Nas duas noites tivemos a bordo dois pássaros que passaram a noite de carona, bem cansados acho que sem força para voar para a terra, pois estávamos em media 40 milhas distante. As refeições a bordo eram normais como sempre na cozinha do Entre Pólos. A noite mantive motor e velas, no fim da madrugada de sexta feira 25/2 o vento se foi, era o aviso que a frente fria estava a caminho, todo o dia com um mar de azeite, as 17 horas o céu mudou, uma massa cinzenta vinha a nosso encontro, o vento que era de NE de 5 nós, virou pra cara 20, 25 nós, algumas rajadas de 30 nós e muita chuva, o radar mostrava uma massa de 5 milhas. Trinta minutos depois a chuva parou as nuvens ficaram mais claras e o vento rondava de todos os quadrantes de cinco a dez nós. Ainda estávamos a trinta e cinco milhas da barra, mas se continuasse assim estava bom, a preocupação de ter que motorar com ventos acima de trinta nós não me agradava muito. Deu tudo certo entramos na Barra em Rio Grande às 23 Horas de Sexta feira. Naveguei por três milhas, larguei ferro bem próximo aos molhes, pois a frente estava vindo e não compensava ir até o Iate Clube de Rio Grande. Esquentamos o que sobrou do almoço, jantamos e comemorando com uma cervejinha bem gelada. Acordei às três horas da madrugada com o vento bombando na gaiuta da cabine de proa, levantei fui para o cokpit, o barco já havia rondado 180 graus. Entrou firme a frente, era nosso vento para Porto Alegre, 20 a 25 nós. Botei o alarme de ancora, peguei um cobertor e fui dormi no cokpit, me sinto mais seguro, pois estávamos a 100 metros de um baixio e no través de BB uns 200 metros dos moles. Acordamos cedo tomamos café e às 7 Horas seguimos rumo a Porto Alegre, teríamos cinqüenta milhas de canal até entrar na Lagoa dos Patos. Estou estranhando o pouco movimento de barcos de pesca, pois nesta época o tráfego no canal fica intenso, temos sempre que estar atento, pois os pesqueiros surgem de todos os lados. Mas á muito movimento de navios. Perto da Ilha Marechal Deodoro uma lancha da Brigada Militar nos alcançou, passou bem perto, com dois Policiais em pé na proa tentando um melhor equilíbrio e um melhor visual, mais adiante vimos à lancha a contra Bordo de um pesqueiro, depois soube, que havia uma grande operação de fiscalização na pesca do camarão. O Almoço estava no forno, carne contra filé com batatas, ficou uma delicia e sobrou para a janta. Às 15 Horas entramos na lagoa, muito mexida com aquelas ondas de um metro que vem de todo lado e insiste em respingar a tripulação, e o Toni Tornado continua grogue, não é hora de mexer vou resolver quando chegar. O movimento de navios continua na Lagoa, na nossa popa vinha um veleiro que não conseguimos identificar, a noite perdemos ele de vista, pois estava com as luzes de navegação apagadas. Perto do farol apagado do Cristovão Pereira, dois navios, um me chamou no radio para combinarmos a manobra, deixei ele por nosso BB arribando, ele agradeceu e perguntou se o veleiro que vinha na nossa popa com as luzes apagada estava com a gente, agradeci por avisar, vi que estava no escuro, acho que também sem radio. O vento diminui muito vamos com motor, duas horas depois, mais ou menos as três da madrugada o vento nos abandona, seguimos nosso rumo numa calmaria total. Às sete horas entramos no Rio Guaíba. Uma linda manhã de domingo ensolarada e na nossa proa já avistava o farol de Itapoá. Sempre que passo por lá tiro fotos, o farol representa o portal da nossa casa, pois ao passar estou dentro do Guaíba, o quintal da minha casa. Mas desta vês estava diferente, instalaram uma antena em frente ao farol, que absurdo com tanto lugar estragaram o cartão postal do Guaíba. Em protesto resolvi não fotografar. Chegamos ao Iate Clube Guaíba as 10.30 do dia 27/04. Em uma viagem que durou sete meses e 5400 Milhas. Agradeço a companhia do amigo Flavio e Eurico, que me acompanharam desde Porto Belo, tenho certeza que em uma próxima oportunidade terei novamente estes dois amigos tripulantes a bordo.

TAYNÁ, VITÓRIA E MARIANA
VELEIRO AVENTURA MARIANA E TAYNÁ BICA NAS DEPENDENCIAS DO REST. COQUEIRO VERDE, SACO DO CÉUMARTA, TAYNÁ, CLEUZA E VITÓRIAILHA DO CEDRO (PARATY) BAR DA DITAPRAINHA, PARATYPARATY, UM BELO BARCO DE FLORIPAPORTO BELO, ENSEADA DO CAXA D'AÇO (PARAÍSO DAS LANCHAS)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

RECIFE AO RIO DE JANEIRO (ANGRA)

Dia 14/11/2010, voltei a Recife para trazer o barco para Angra, cheguei ao Cabanga às 11 horas da manhã, comecei a preparar o barco para no dia seguinte sair rumo a Salvador na primeira maré. As 10.30 do dia 15/11, segui meu rumo, 400 milhas na minha proa. Naveguei em orça apertada calçado no motor com ventos de 15 a 20 nós, até as 17 horas, o vento torceu um pouco, comecei a velejar. À noite o vento torce mais, agora traves, sigo velejando muito confortável a 18 milhas da costa, apesar do grande movimento de pesqueiros e navios. O primeiro dia foi só lanche e frutas. Às 10.30 horas faço o balanço das primeiras 24 horas, naveguei 154 Milhas. Consegui dormir com o despertador acordando a cada vinte minutos. Amanheceu, o vento rondou para três quarto e diminuiu agora 5 a 7 nós, vou ajudando no motor. Dia bonito ensolarado e muito quente, ao meio dia fiz almoço simples, arroz com lingüiça. À tarde o vento voltou, velejando de novo, aproveito durmo um pouco, depois vou para a leitura, estou lendo o livro O MELHOR ANO DE NOSSAS VIDAS. À noite o vento cai quase zerando, encontro uma corrente contra. Com todos os panos em cima calçado no motor, sigo navegando. Às 10.30 Horas fecho a cingradura das ultimas 24 horas, 143 milhas. Neste terceiro dia o vento continua a favor mas fraco até Salvador. Estou sem luz de navegação, vou consertar quando chegar ao CNB. Em frente ao farol da Barra, alguém me xinga no radio por eu estar sem luz de navegação, mesmo estando com uma lanterna na mão e um strobo manual sempre sinalizando. Acho que o cidadão não sabe que possa queimar em viagem, talvez ele queira que eu suba no mastro a noite navegando para o conserto. Chamei no radio o CNB, avisando da minha chegada, os guardas me ajudaram a atracar. Dia 18/11, as 1.30 da madrugada com 408 milhas desde Recife. O CNB estava murcho, ninguém conhecido só barco de gringo. É muito bom estar no CNB, mas com os amigos que sempre encontramos aqui, na ida para recife havia uns vinte barco conhecidos, estava muito bom. Na sexta feira chegou um barco Brasileiro, do Rio de Janeiro, veleiro Bom Free, no comando estava o André Freitas e o amigo Julio (Juba) da web TV, esportes radicais WWW.actionbrasil.tv muito legal vale apena acessar. Minha tentativa de sair domingo fracassou, tive que retornar. Saí às 16 horas, fui ao Bahia Marina para abastecer, e às 17 horas com vento de traves de 20 nós corrente favorável de 2 nós, tomei meu rumo, uma maravilha, mas o piloto insistia em entrar em Stand by, o que há com o Toni Tornado sempre gostou de timonear! Naveguei oito milhas e retornei, pois sem piloto e uma navegada em Solitário de cinco dias seria muito puxado. Liguei para o Douglas que trabalhou no meu Barco instalando um novo equipamento, marcamos para as seis horas do dia seguinte para averiguar o problema. No retorno fazendo uma retrospectiva do que aviamos feito, matei a charada, liguei de novo ao Douglas falando o que eu achava que poderia ser. As 20.30 cheguei ao CNB. Tomei um banho fiz um lanche e fui dormir, mesmo sabendo que o horário marcado não seria cumprido, pois estamos na Bahia, e aqui é sem estresse, acordei as 5.30. As 7.30 chega o Douglas, e as minhas suspeitas se confirmaram, ao passar inúmeros fios no armário do Painel, afrouxou o cabo do barramento que vem das baterias para o painel elétrico. Só custei a perceber que era problema de alimentação porque meu termômetro é a geladeira que está direto nos bancos, e ela não parou de funcionar. Quando o piloto exigia mais carga ele desarmava. Tudo resolvido agradeci ao Douglas e me despedi As 8.30 horário da Bahia, dia 22/11, sai rumo ao Rio de Janeiro (Angra). A motor e com a grande e genoa em cima, vento em orça. Duas horas mais tarde o vento aumentou e deu uma torcida melhorando, agora é só velejando. Ao meio dia esquento o que sobrou do dia anterior. A tarde melhorou, o vento agora é través. Meu primeiro ponto é traves de Belmonte. Vou abrindo distancia da costa. À noite o vento é de popa de 15 a 18 nós. Sigo em asa de pombo. Amanhece vai ser um belo dia de sol, dormi muito bem, pouco movimento nenhum pesqueiro, que maravilha. Meu balanço das primeiras 24 horas, 166 milhas. Sempre em asa de pombo, aproveito o dia para tirar uns cochilos, o novo Radar esta funcionando muito bem, apesar de eu estar em fase de adaptação, pois o outro modelo muda muito as funções, mas estou me saindo bem. Meu almoço hoje pizza, não estou a fim de encarar a cozinha, estou com dor de cabeça, está me incomodando um pouco, talvez seja o calor ou o sol em excesso que peguei em Salvador, tomei um banho frio tomo um comprimido, fico horas sentado na roda de leme, sentindo o vento bater nas costas, muito confortável. Ao anoitecer melhoro. Janto os três pedaços de pizza que sobrou do almoço. O vento diminui um pouco, mas ainda consigo andar a seis nós, também vem uma chuva fina, durmo um pouco, logo toca o alarme do radar. Desta vez pesqueiros pela proximidade de Abrolhos. As 5.30 horas da manhã, passo no traves de Abrolhos ainda com chuva fina, consigo ver as Ilhas e o farol, não chamei o radio farol pois era muito cedo, e as previsões que tinha estava tranqüilo, no meu caminho ainda teria o Rio Doce ou Vitória para arribar se fosse o caso. Marquei meu próximo ponto para o través do Rio Doce. O vento aumenta, continuo em asa de pombo, vento de 18 a 20 nós velocidade oito nós. Nestas 24 Horas naveguei 169 milhas. Ao meio dia faço um almoço que posso considerar o pior que saiu na cozinha do Entre Pólos, Carne assada no forno, em Salvador comprei contrafilé, de bela aparência. As aparências enganam, acho que este boi deve ter subido as escadarias do Bonfim muitas vezes, pois nunca tive a oportunidade de comer uma carne tão dura. O céu escureceu muito, o bicho vai pegar, preparo tudo para não ter surpresa, vela Grande no segundo riso, bem na hora, mais chuva e vento, começa a relampear, enrolo um pouco a genoa, e o tempo aperta mais, recolho toda a genoa, e continuo voando baixo, a visibilidade diminui muito. Sigo nestas condições por duas horas mais ou menos, dou uma revisada na grande e vejo duas talas saindo da bolça, e a capa da vela com um rasgo de uns trinta centímetros na ponta da retranca. Quando fiz o rizo não vi que a adriça na hora de caçar, passou por traz do tubo de alumínio que mantém a capa armada, não tem outro jeito, tenho que baixar a grande. Liguei o motor aproei no vento, e uma tala a maior saiu voando, já era. Botei o barco no rumo abri um pedaço da genoa sempre com pau de spi e segui navegando. A noite a Vitória Radio da o aviso de vento forte na área DELTA, força 5 a 7 ventos de NE a NW, valido até as 22 horas do dia 25/11, dia seguinte. Acho que o aviso veio atrasado, pois o bicho tava pegando desde o meio dia. Toda a noite foi só de grande meia enrolada, e tome vento e chuva. Amanheceu, consegui dar uns cochilos, tomo café as 8.30 tiro a singradura, 156 Milhas, vento agora diminuiu 18 a 20 nos, abro toda a genoa. Um navio vem em minha rota pela popa, fico atento para manobrar mas a duas milhas é ele quem manobra, desviando e passando a meia milha do Entre Pólos. O vento aperta, enrolo a metade da genoa, 25, 28, 30 nos, e tome chuva. Vou para a cabine deito no sofá, procuro sinal na TV e consigo, mas só tem porcaria, dou uma cochilada e acordo na hora do almoço. Faço up grade na sobra do dia anterior, consegui fazer um milagre na carne da Bahia, ficou razoável nem os peixes comem, pois não sobrou! O vento volta para os vinte nós e sem rajada, a chuva também diminui um pouco, abro toda a genoa. À tarde o vento vem para 15 nós, abro a trinqueta em asa de pombo assim deixo a vela grande guardada na capa. De noite a chuva para, quanto mais me aproximo do São Tomé mais pesqueiro, tive que desviar 30 graus para não subir na rede, pois quando eu estava perto o pesqueiro apontou a rede com o farolete. A noite vai ser difícil de dormir. Contornei o banco São Tomé as 23.30, tirei o pau de spi, seguindo em um través com vento de 15 nós. O movimento de pesqueiros diminui, ou fico fora da rota deles, pois há no meu través de BE, varias luzes. As duas e trinta da madrugada acordo com o barco quase parando, o vento agora com 10 a 12 nós é quase na cara. Recolho a genoa e sigo a motor. Sempre com vento na cara, às vezes aumenta para 15 nós, mas o mar esta calmo com ondas baixas, o motor rende bem, tiro a singradura 165 milhas. Meio dia pizzaria do entre Pólos abre os trabalhos. Às duas horas faço o farol de Cabo Frio, consigo orça apertada, mas com vento fraco ajudo no motor. Vou abrindo em um rumo que deixo as ilhas rasa e Redonda a meu Boreste. Começo meus turnos de cochilo, pois sei que de noite vai ser difícil, vou passar perto de muitas Ilhas e pesqueiros, alem de navios em frente ao Rio de janeiro. Passo em frente ao Rio às 23.30 Horas, por dormir muito pouco quase não consigo ficar acordado, por varias vezes molho a cabeça e o rosto com o chuveirinho de popa, tenho que ficar em pé ou sentado, se encostar a cabeça durmo. Resolvo cetar o alarme do Radar de três milhas para seis, pois estando no modo temporizado, ele rastreia a cada cinco minutos, quando começa a rastrear pega a orla do Rio, e soa o alarme que só para se eu descer até ele na mesa de navegação, e apertar o botão confirmando. Assim a cada cinco minutos eu descia para confirmar, era só encostar a cabeça que dormia entre cada soar do alarme. Às 7 horas entro na Bahia da Ilha Grande, cansado e com dor nas pernas de tanto descer a escada do barco, para apertar o botão do Radar. Com a ansiedade de chegar ao Sitio Forte o sono passou, desliguei o alarme e pude ficar sentado com a cabeça encostada para descansar. Sempre uso o relógio despertador, mas pelo cansaço não quis arriscar, pois ele toca e para quanto acaba o tempo, e eu estava muito perto da costa, não poderia entrar em sono profundo. Cheguei ao Sitio forte às 10 Horas do dia 27/11, nas ultimas 25 horas naveguei 177 Milhas em um total de 833 desde Salvador, cinco dias e uma hora. Empolgado esqueci o cansaço e comecei a faina, organizei o interior limpei a cozinha, lavei o banheiro com água quente aproveitando para tomar um bom banho. Resolvi fazer almoço, ainda tenho aquele contra filé duro da Bahia, vou tentar salvar. Cortei em cubos, fritei bem com tempero uma cebola, depois botei a cozinhar por bastante tempo, coloquei uma lata de seleta de legumes, ficou uma delicia, acompanhado com arroz salada e uma cerveja bem gelada, como era uma operação de salvamento fiz toda a carne, que sobrou para o almoço do dia seguinte. À tarde tirei a vela grande guardei em uma das cabines de popa, tirei a capa da vela para levar a Porto Alegre e consertar. À tarde o movimento aumentou aqui no Sitio Forte, tem umas lanchas grandes com Jet, e todos se divertem andando ao redor dos veleiros, que agora somos nove, fazendo aquelas marolas maravilhosas que todo velejador odeia. À noite conversei com a família via Skype, depois vencido pelo cansaço, apaguei na calma enseada do Sitio Forte. 28/11 amanhece, tomo meu café e sigo meu rumo a Marina Bracuy, consigo uma vaga, acerto tudo na administração, recebo a visita do Enio do veleiro Casagrande, que a muito tempo não via. Meio dia ressuscitei a sobra do almoço anterior, que parece ter ficado ainda melhor. Muito calor, a tarde tirei as escotas e o motor de popa, guardei tudo dentro do barco, lavei o convés para tirar o sal da viagem. No final da tarde, fui ao veleiro Casagrande http://www.veleiro.net/veleirocasagrande/tripulacao.htm tomar um cafezinho com o Ênio e a Lú. Voltei para o Barco mantive tudo fechado, pois os pernilongos estavam descontrolados, conversei com a Cleuza por algum tempo via Skype, dedetizei o barco e fui dormir. Quem dorme com este alvoroço de mosquito, eu me tapeando o tempo todo para me livrar das picadas e sinfonia nos meus ouvidos, noite muito longa. Com a noite mal dormida dei uma esticada na cama, acordei às 10 Horas. Botei o Bote na proa e coloquei capa em tudo. Almocei a ultima pizza, e às 15 horas veio a minha condução para me levar ao aeroporto do Rio, Hora de voltar para casa. Em janeiro volto a bordo com a família, e depois retornarei a Porto Alegre, mas este será outro Diário!